Do dia em que não bastava a prosa

18:29










Em 20/06/2013

(Quando o que lhe apequena se encontra com o que é pequeno em você)
(De novo, profanando a poesia)



Insólitas lascas de madeira no chão,
Do dia em que a prosa acuada,
Cansada, exaurida,
Suspensa num sinistro senão,
Viu arrobada a porta séria.
E entra chorosa,
Intempestiva e etérea,
Onde também chora a prosa,
A minha saudosa poesia.

Tinha andando esquecida,
Em algum vão inédito
Das paragens vastas de mim,
Onde estava escarnecida,
Por saber-se pobre e pequena,
Assim preterida,
Em favor do pesa-pondera
E seu ar grave de musa bem quista

O que não revelo,
o que não digo,
É que, em verdade, vos omito.
Que era eu, múltipla, confusa e tão lúcida,
Que, de repente,
sentada, em pé, inerte e intrépida
Sentei-me a ver-me arrombar a porta que me sustentava ausente,
Chorando as dores da queda precoce de minha máscara lépida
Gritando da janela que não justificava-se o furor
Se no fim, eu prefiro a vastidão,
mesmo que sem cadência,
na sinceridade ostensiva de versos livres

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